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Meio Ambiente
por Roberto Vámos
PORTO SUL ACABARÁ COM
ÁREA DE PRESERVAÇÃO
Um
grande crime ambiental está prestes a ser cometido no litoral baiano,
sem divulgação, sem alarde. O governo baiano anunciou, no início deste
ano, a construção de um porto internacional para escoamento de minério
de ferro e um novo aeroporto no litoral entre Ilhéus e Itacaré – em
plena Área de Proteção Ambiental (APA) da Lagoa Encantada.
Essa
região foi objeto de um estudo do New York Botanical Gardens e
do Centro de Pesquisa da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), que ali
encontraram a floresta com maior biodiversidade do mundo – mais de 450
espécies arbóreas por hectare!

o Porto de Tubarão, Vitória
(ES) é um exemplo
da poluição através do minério
de ferro.
Além
de árvores, a região hospeda muitas espécies ameaçadas de extinção,
como o macaco prego de peito amarelo (Cebus xanthosternos), mutum do
nordeste (Mitu mitu mitu) e a preguiça de coleira (Bradypus torquatus).
Agora, querem construir lá uma ferrovia, minérioduto, retroporto e
aeroporto. O receio dos ambientalistas é de que as áreas protegidas e
a economia do turismo sejam comprometidas irreversivelmente pela nova
lógica de povoamento da costa – o que inclui imensa área de
beneficiamento de minério de ferro, similar ao que ocorre na Grande
Vitória, propagando fuligem mineral em um raio de 30 quilômetros.
O
mais grave: sem estudo de impactos ambientais, o governo decretou como
utilidade pública área de 1780 hectares para minerioduto e retroporto.
O aeroporto consumiria mais 700 hectares em plena Área de Proteção
Ambiental da Lagoa Encantada, sobre remanescentes florestais e ao lado
de povoados de pescadores artesanais, a exemplo Areias, Juerana e
Ponta da Tulha.
Denominado Porto Sul, o projeto contempla recursos de R$ 4 bilhões e,
segundo o anúncio oficial, envolve aeroporto internacional, ferrovia
Oeste Leste, minérioduto, retroporto, e uma nova zona industrial. O
concreto agora é o escoamento do minério de ferro de Caetité para a
China. A cidade, mais conhecida na Bahia pela produção de urânio,
estaria sendo conectada a Ilhéus através de parceria público privada
com a Bahia Mineração Ltda.
O
Diário Oficial do dia 19 de março anunciou a abertura de 10 mil
empregos. Em 4 de janeiro, o governo criou um GT entre as secretarias
do governo para gerar um estudo preliminar, capaz de selecionar áreas
potenciais para a construção do porto.
A
primeira apresentação dos estudos, há um mês, indicou que a melhor
área fica a 20 quilômetros da cidade de Ilhéus, ao lado de uma imensa
lagoa natural, conhecida como Lagoa Encantada. O mirante de Serra
Grande seria impactado pela nova imagem, com um porto em alto mar e
grandes navios ao seu lado.
Este
projeto é um absurdo! Tudo foi feito na surdina e impactará uma das
regiões mais bonitas do Brasil, sem falar do fato que a Mata Atlântica
do Sul da Bahia é um dos ecossistemas mais ameaçados do mundo.
Será
que o desenvolvimento vale tanto? Será que nada mais é sagrado? Será
que gerações futuras não podem receber de nós áreas preservadas,
intactas? Será que tudo deve ser permitido em nome do “desenvolvimento
econômico”?
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