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Esportes
Por iesambi.org
Trecho da Monografia desenvolvida por João Couto Teixeira no Curso
de Especialização no Ensino da Capoeira na Escola, Universidade de
Brasília, 1998.
Saiba sobre a história da capoeira
As origens da Capoeira são obscuras. Durante o governo do presidente
Deodoro da Fonseca, o então ministro da fazenda, Rui Barbosa,
determinou que se queimasse toda documentação referente à escravidão
no Brasil; como a capoeira, em suas raízes, foi estreitamente ligada à
escravidão, o concernente ao seu histórico é baseado em tradições
orais, e poucos documentos que escaparam à incineração de 1890.
Partindo-se desses escassos documentos, sabe-se que por volta de 1538
foram trazidos para a Bahia os primeiros escravos africanos, a maior
parte vinda de Angola, Benguela e Luanda, sendo que o mais antigo
documento a respeito, que se tem notícia, é a carta de Duarte Coelho a
Dom João III, de 1542, na qual aquele solicitava o envio de mais
escravos.
Entre as várias correntes de opinião envolvendo as origens da
capoeira, destaca-se a que argumenta ter sido ela criada e
desenvolvida aqui no Brasil, talvez logo após as primeiras fugas dos
engenhos. Nesse caso, cita-se como argumento a inexistência da
capoeira na África, até pouco tempo.
A capoeira teria surgido de danças africanas, acrescentado a elas um
caráter marcial (de ataque e defesa). Isso era necessário para que os
escravos fugitivos nos quilombos, pudessem se defender e/ou atacar os
"capitães-de-mato".
Com relação ao nome do jogo, tem-se conhecimento que escravos oriundos
de quilombos (geralmente situados em florestas), preferiam lutar,
quando necessário, em local onde condições ambientais pudessem lhes
ser favoráveis; essa região escolhida costumava ser a "capoeira",
denominação dada à terra recentemente queimada, quando começam a
brotar as primeiras Poaceae (atual denominação das gramíneas), não
havendo ainda arbustos ou árvores de grande porte. Nesses locais, os
escravos se sentiam aptos para enfrentar seus perseguidores, que os
achando agachados na relva precisavam se cuidar dos açoites e
chibatadas dos então chamados "Lutadores de Capoeira", "Lutadores da
Capoeira", ou simplesmente "Capoeiras", que passou a ser também o nome
do jogo.
A história demonstra ter a capoeira sido usada como defesa à opressão
social em diversas regiões do Brasil, principalmente no estados da
Bahia e Rio de Janeiro, de onde nos chegam lendas de capoeiras
famosos. Ajudou a vencer batalhas, com golpes como rasteira, pontapé,
joelhada, rabo de arraia, cabeçada, aú, balão, boca de calça e meia
lua. "A arma de mais valor para o capoeira é um nalfe", espécie de
navalha (Coutinho, 28). "O berimbau é uma arma": a verga é um cassete,
e a baqueta usada para furar (Coutinho, 29); poderia ser usado para
sinalizar a presença de cavaleiros, ou mesmo para derrubá-los de suas
montarias, muitas vezes tendo faca ou navalha em sua extremidade.
Em maio de 1809 era criada a Guarda Real de Polícia, dirigida pelo
Major Miguel Nunes Vidigal, temido e implacável na perseguição aos
capoeiras, que desta data em diante não teriam mais sossego.
A capoeira exerceu influência nos acontecimentos socioculturais e
políticos do Brasil, a tal ponto que o Código Penal de 1890 deu um
tratamento especial ao caso, prevendo prisão, trabalhos forçados, e
até deportação para os seus praticantes.
Naquela época, não existindo organização didática mais concreta, os
ensinamentos eram propalados de maneira bastante intuitiva e os
segredos bem mantidos, respeitando-se o caráter profundamente
tradicionalista dos velhos mestres, como os da Ladeira de Pedra do
bairro da Liberdade, onde surgiria o primeiro centro de capoeira
angola do estado da Bahia (O conjunto de capoeira de angola Conceição
da Praia foi o embrião do Centro Nacional de Capoeira de Origem
Angola, localizado na Ladeira de Pedra, onde ficava a famosa
Gengibirra; mais tarde Centro Esportivo de Capoeira Angola,
transferido para o "Pelourinho 19", e também conhecido como Academia
do Pastinha, relacionado entre os desordeiros da Sé, segundo Coutinho,
p. 123). Alguns capoeiras famosos da época são citados no apêndice 1,
ao final deste capítulo. Os locais da Bahia onde a capoeira Angola
teria sido praticada no início do século, seguem no apêndice 2.
Há muito se ouve sobre capoeiristas que não dispensavam seus chapéus
de palha, lenço no pescoço ("O capoeirista nunca desprezou o seu
cachecol de seda ao pescoço para sua defesa contra essa arma
traiçoeira que se chama navalha..." Coutinho, 60), tamanco arrastando
e brinco de argola na orelha. Via de regra, pessoas idôneas, embora
mandingueiras. Mesmo diante dos maiores desafios, se mantinham em
impecável atitude ética, o que lhes valia convites para serem
guarda-costas de políticos famosos ("...Dr. Álvaro Costa - Apêndice 3
- protegia Escavino e Ducinha. Os dois irmãos tinham confiança
nele..." Coutinho, 61) ou abre-alas de escolas de samba.
Posteriormente surgiriam angoleiros de grande expressão, como os
Mestres Bola Sete, Caiçara, Canjiquinha, Cobrinha Verde, Curió, João
Grande e João Pequeno (pró-mestres de Pastinha), Mário Bom Cabrito, Nô,
Papo Amarelo, Paulo dos Anjos, Waldemar e os do Grupo Angola
Pelourinho.
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